Detalhando o Índice P/L e o UPSIDE - Trader Gráfico - Robôs, Cotações, Notícias e Análises Bovespa
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    Análise Técnica e SuperSinais
    Ano 2 - Número 24 - Segunda-feira, 26/05/2008


    Esta Newsletter é enviada Semanalmente a todas as pessoas devidamente cadastradas no site www.tradergrafico.com.br/newsletter e tem por objetivo apenas informar ao seu público alvo detalhes sobre indicadores, funções e análises necessários para uma avaliação de ativos e empresas associados a renda variável. Esta Newsletter não produz e não produzirá análises ténicas sobre nenhum ativo ou empresa.


    Detalhando o Índice P/L e o UPSIDE

    Embora já tenhamos abordado o Índice P/L na newsletter de 21/01/2008, vamos detalhar bem este assunto nesta semana, além de também explicar como se calcula o UPSIDE ou DOWNSIDE (potencial de valorização/desvalorização) de uma ação baseado no P/L.

    Quando pensamos em Análise Fundamentalista, a primeira coisa que nos vem à mente são os balanços das empresas, projeções de faturamento, perspectivas setoriais e da economia. Tudo muito complicado quando o analista é o pequeno investidor, que até pode ter conhecimento contábil suficiente para ler um balanço, mas que dificilmente consegue ter acesso às projeções setoriais e da economia de forma satisfatória para um certo período de tempo que lhe interesse.

    Tendo como foco o pequeno investidor, falaremos hoje sobre o mais utilizado índice fundamentalista de mercado, o P/L ou Preço por Lucro. Este índice é o principal índice da análise fundamentalista por ser simples de ser calculado e simples de ser interpretado, sendo assim o mais utilizado por todos os investidores, quer sejam grandes, pequenos ou institucionais.

    O Índice P/L apura a razão Preço por Lucro de uma empresa. O preço é sempre o valor por ação que está cotado em bolsa, ou seja, o valor de mercado de uma ação da empresa. Da mesma forma, o Lucro é o lucro por ação, ou seja, o lucro líquido da empresa dividido pelo número total de ações.

    O preço por ação, assim como o lucro por ação, podem ser conseguidos facilmente no site da Bovespa na internet ou no software Trader Gráfico. Isto torna este índice acessível a qualquer investidor.

    Por exemplo, se uma empresa está cotada em bolsa a R$ 10 por ação e possui um lucro projetado de R$ 2 por ação por ano, o Índice P/L será igual a :

    Detalhando o Índice P/L


    O número 5 encontrado significa que o acionista terá hipoteticamente o valor investido na compra daquela ação de volta em 5 anos. Ou seja, um retorno total sobre o investimento em 5 anos.

    Uma vez que já sabemos o que é o Índice P/L, vamos agora tomar alguns cuidados sobre os dois parâmetros que o formam, o Preço e o Lucro:

    1. O Preço da ação é sempre o mais recente disponível, de preferência o último fechamento.
    2. O Lucro deve ser o lucro por ação projetado para o final do ano corrente.
    Além disso, este índice parte de algumas premissas que não são verdadeiras, porém são importantes para nivelar as expectativas de todas as empresas da mesma forma, o que permitirá usarmos o Índice P/L como um comparativo entre empresas e não como um índice isolado de uma empresa como muitos imaginam. Dentre estas premissas podemos destacar:

    1. O cálculo do retorno é feito sob a afirmativa que todo o lucro é do acionista. Na prática apenas um percentual do lucro vai para as mãos do acionista.
    2. Admite-se que o lucro da empresa será constante. Obviamente isto pode ou não ocorrer.
    3. Não consideramos o efeito da inflação.
    Vale a pena lembrar que caso a empresa dê prejuízo não é possível calcular o Índice P/L.

    Agora que já sabemos como calcular o Índice P/L e também sabemos que a sua principal função é permitir que possamos comparar empresas de tamanhos e setores diversos, vamos entender como interpretar este índice na prática.

    Quando calculamos o Índice P/L de uma empresa listada na Bovespa e encontramos o valor de 8, o que isto significa? Depois de ler o texto acima todos devem ter pensado: “são 8 anos para que o dinheiro investido na compra das ações retorne ao investidor”. Muito bom, porém a interpretação real deste número vai além disso.

    Quando calculamos o Índice P/L de uma empresa e encontramos um número qualquer, a primeira coisa que devemos fazer é comparar este número com a média do mercado. Por exemplo, se encontramos um P/L de 8 para uma ação que compõe o índice Bovespa, o Ibovespa, a primeira coisa que devemos fazer é descobrir qual é a média do P/L das outras ações que estão no Ibovespa, pois só assim saberemos se o valor de 8 é pouco ou muito comparado com o mercado.

    Um valor numérico puro e simples é inconclusivo, pois 8 pode ser um bom valor para uma pessoa e ao mesmo tempo ruim para outra. Já quando este valor é comparado à média de mercado chegaremos sempre à mesma conclusão. Se a média de mercado for 6, ou seja, as empresas normalmente possuem retorno de 6 anos sobre o investimento, uma empresa que dê retorno em 8 anos não é atrativa aos investidores, pois eles podem comprar outras ações com melhor retorno, logo eles venderão a ação de P/L mais alto e procurarão por outro investimento de P/L mais baixo. Quando os investidores vendem as ações que estão acima da média de mercado o seu preço cai, e se quando o preço cai o Índice P/L também vai cair até o momento que ele esteja no mesmo nível do mercado.

    E se o P/L de uma empresa for menor do que o do mercado? Neste caso a empresa é mais atrativa aos investidores, pois o retorno sobre o investimento ocorre mais rapidamente. Quando isto ocorre os investidores começam a comprar esta ação e o seu preço começa a subir. Ao mesmo tempo em que o preço vai aumentando, o Índice P/L também aumenta, até o limite da média do mercado.

    Esta lógica é aplicada diariamente na bolsa e faz com que os índices P/L das empresas estejam sempre se movimentando em busca da média do mercado.

    Por exemplo, se o preço da nossa empresa hipotética aumentar de R$ 10 para R$ 15 por ação, o P/L aumenta e ela fica menos atrativa aos investidores:

    Detalhando o Índice P/L
    (com a média de mercado em 6, esta ação será vendida e o seu preço cairá)


    Já se o preço cair de R$ 10 para R$ 6 por ação, o P/L diminui e a empresa fica mais barata aos olhos dos investidores:

    Detalhando o Índice P/L
    (com a média de mercado em 6, esta ação será comprada e o seu preço subirá)


    E quando os preços ficam constantes?

    Ocorre muitas vezes de a expectativa de lucro de uma empresa para o final do ano corrente mudar, ou seja, no resultado apurado do primeiro trimestre do ano, por exemplo, a empresa apresenta um lucro 100% superior ao mesmo lucro do ano anterior no mesmo período, sendo que este lucro foi gerado de forma limpa pela operação da empresa.

    Quando isto ocorre, o lucro esperado para o final do ano sofre ajustes para cima e imediatamente o cálculo do P/L sofre uma alteração importantíssima, com um lucro maior o retorno ocorre em menos tempo, ou seja, o P/L cai. Quanto menor o Índice P/L melhor, então se ele cai de um dia para o outro por causa da mudança de expectativa no final do ano, o valor atual de mercado daquela empresa fica mais atrativo para os investidores do que as outras empresas. Todos começam a comprar e o número maior de compradores faz os preços subirem. Os preços vão subindo até um determinado patamar onde o P/L volta a entrar em equilíbrio com o mercado.

    Por exemplo, se o preço da ação não muda, mas a expectativa de lucro no final do ano passa de R$ 2 para R$ 4 por ação, a empresa automaticamente fica muito mais barata do ponto de vista do tempo de retorno:

    Detalhando o Índice P/L
    (com a média de mercado em 6, esta ação será comprada e o seu preço subirá)


    Sempre que uma empresa possui um P/L menor que o do mercado, dizemos que ela possui um UPSIDE de valorização, ou seja, um incremento esperado em relação ao preço atual, designado em percentual, como segue:

    UPSIDE


    Se o número encontrado acima for negativo, dizemos que a empresa possui um DOWNSIDE em relação ao preço atual, o que na prática representa um P/L maior do que o de mercado.

    Voltando agora às nossas premissas, percebam como não tem importância o fato delas estarem um pouco fora da realidade, pois como elas são válidas para todas as empresas, quando nós comparamos as ações pelo Índice P/L sempre saberemos se elas estão baratas ou caras em relação ao mercado. Este será o nosso primeiro argumento na decisão de comprar ou vender, que ainda dependerá de mais alguns fatores fundamentalistas, além de aliar sempre um pouco de análise gráfica na decisão.



     
    Você pode ver o balanço resumido das empresas negociadas na Bovespa, que contém o Lucro por ação e o Preço da Ação para cálculo do P/L, dentro do Trader Gráfico utilizando o menu:

    Estudos > Demonstração Financeira Resumida

    Carlos Martins: Profissional de Investimento Certificado APIMEC - CNPI, autor do livro "Os Supersinais da Análise Técnica" (Ed. Campus-Elsevier, 2010) e sócio-fundador do Trader Gráfico.

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