Entenda o Momento Atual do Mercado Financeiro - Parte 1 - Trader Gráfico - Robôs, Cotações, Notícias e Análises Bovespa
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    Análise Técnica e SuperSinais
    Ano 2 - Número 40 - Segunda-feira, 15/09/2008


    Esta Newsletter é enviada Semanalmente a todas as pessoas devidamente cadastradas no site www.tradergrafico.com.br/newsletter e tem por objetivo apenas informar ao seu público alvo detalhes sobre indicadores, funções e análises necessários para uma avaliação de ativos e empresas associados a renda variável. Esta Newsletter não produz e não produzirá análises ténicas sobre nenhum ativo ou empresa.


    Entenda o Momento Atual do Mercado Financeiro - Parte 1

    Nosso tema desta semana é global, falaremos sobre o momento atual do mercado financeiro mundial, liderado pelas instituições financeiras americanas afetadas pela crise dos títulos podres do subprime.

    Esta segunda-feira, 15/09/2008, marcou uma mudança na crise de confiança dos Estados Unidos. Antes de falarmos sobre o efeito atual da crise, vamos explicar alguns conceitos da crise.

    Abaixo um fluxo da economia. As setas representam o dinheiro, note que ele não flui entre pessoas e empresas sem passar por um banco, uma corretora ou uma seguradora, todas as três componentes do sistema financeiro. Este efeito, chamado de bancarização está cada vez maior e faz com que o mundo fique cada vez mais dependente do sistema financeiro.

    Fluxo da Economia


    O fluxo acima mostra o tamanho da nossa dependência das instuitições financeiras, por isso, se alguma delas quebra da noite para o dia, os estragos afetam todos os outros participantes da economia, sejam pessoas, empresas ou outras instituições financeiras.

    Crise de Confiança e Corrida Bancária

    Ao contrário do que muitas pessoas pensam, as instituições financeiras não funcionam de forma isolada, elas ajudam o Banco Central de um país a implementar suas políticas, sejam elas de câmbio, monetária ou de crédito.

    Isto significa que as instituições financeiras, como os bancos e seguradoras, não são apenas empresas, mas agentes intermediários que pegam dinheiro de pessoas e empresas que estão superavitárias e emprestam a outras pessoas e empresas deficitárias.

    Além disso, é muito comum, e necessário, que as instituições financeiras se relacionem entre si, ou seja, elas tomam e emprestam dinheiro umas às outras. Quando algumas destas instituições quebra, ela deixa de honrar os seus compromissos com pessoas, empresas e outras instituições financeiras. Quando você vê alguém perder dinheiro porque tinha conta em um banco que quebrou ou quando você vê que a seguradora da sua empresa não existe mais e por isso as suas operações estão risco, mesmo "seguradas", isto gera uma Crise de Confiança no sistema financeiro. Atualmente estamos em uma crise de confiança segmentada em algumas partes do sistema financeiro americano, mas o medo de todos é que isto se alastre.

    A primeira coisa que vem na cabeça das pessoas em um ambiente onde vários bancos estão quebrando, é sacar o dinheiro dos bancos que ainda estão não foram afetados e levá-lo a um lugar mais seguro, com menos risco. No mundo financeiro o dinheiro não vai para debaixo do colchão, mas vai para o mercado de títulos de renda fixa do Governo Central. Com o dinheiro saindo rapidamente das instituições boas por causa do medo gerado pelas quebras das instituições ruins, não demora para que todas as instituições entrem em crise de liquidez. Isto é terrível e, se acontecer em bancos comerciais grandes, quase sempre leva a situações de conflito e crise generalizadas na economia. Esta é a Corrida Bancária e ninguém, nem os mesmos os mais pessimistas, se arrisca a prever algo assim. Antes deste nível os governos devem agir, paralisando a crise de confiança no começo e socorrendo as instuitições em dificuldades de liquidez.

    Para onde vai o dinheiro?

    Os títulos do Governo Brasileiro são atrelados à nossa taxa de juros, a SELIC, e são os ativos de menor risco dentro do Brasil. Da mesma forma, os títulos do Tesouro Americano, conhecidos como Treasury Bills, são os ativos de menor risco do mundo, balizando os riscos de outros países. Por isso, em uma crise de confiança o dinheiro sai das instituições financeiras privadas e do mercado de ações e vai para os título públicos, principalmente os americanos que possuem o menor risco.

    Por que a Bovespa cai se a crise é nos EUA?

    Todos os ativos em renda variável ficam menos interessantes para aqueles investidores que não querem correr riscos. Como a Bovespa possui uma participação forte de investidores estrangeiros, quando estes se sentem ameaçados por um alto risco em seus países de origem, ficam propensos a diminuir o risco de suas aplicações no mundo inteiro. Isto quer dizer vender ações e comprar títulos de renda fixa. No Brasil, eles vendem ações, compram dólares, mandam estes para os EUA e lá compram títulos do tesouro americano. Resultado no Brasil: Bovespa cai e dólar sobe.

    Por que o dinheiro vai para os EUA se a crise é lá?

    Há uma diferença bem grande entre as empresas americanas e o Governo Americano. Devemos nos lembrar que o Governo Americano "fabrica" o Dólar, moeda utilizada como padrão no mundo todo. O Dólar não é apenas uma moeda forte, mas uma moeda de referência. Os outros países cotam suas moedas em relação ao Dólar, acumulam reservas em Dólar e recebem Dólares nas suas transações comerciais.

    Isto faz com que o único lugar do mundo onde uma crise pode afetar as empresas e não o Governo é nos EUA, pois sendo eles os detentores da política monetária do moeda de troca comum, fica fácil garantir que não vai faltar Dólar para pagar os seus próprios compromissos, o que transforma os títulos do tesouro americano nos de menor risco, chamados de risk free ou livre de risco.

    Mesmo assim, se uma crise de confiança mais profunda afetar a economia americana, que é o medo de 10 entre 10 pessoas hoje, ninguém sabe até onde a crise vai. Por que? Por que esta é a maior crise desde a quebra da bolsa de Nova Yorque em 1929 e tudo mudou tanto desde então, que não existem modelos para prever o que pode ocorrer.

    E agora?

    Para piorar, os EUA estão em época eleitoral e o governo não quer ser visto pelos eleitores gastando dinheiro público. Sendo assim, neste final de semana o tesouro americano negou-se a financiar a venda do banco de investimentos Lehman Brothers (4º maior banco americano), decisão esta que fez com que o banco pedisse concordata e agora ele será vendido aos pedaços para saldar dívidas.

    Quem leu com atenção o significado de Crise de Confiança e Corrida Bancária alguns parágrafos acima se pergunta: Foi certo deixar o Lehman Brothers quebrar? E o risco de piorar a crise de confiança?

    Pois é, a crise de confiança piorou imediatamente e muito. As bolsas no mundo todo tiveram suas piores quedas desde os ataques às torres gêmeas de 11/Set/2001. E agora todos tentam entender o motivo desta falta de socorro ao sistema financeiro, mas na verdade isto divide a história desta crise em antes e depois da quebra do Lehman Brothers, sendo que não há como prever o que ocorrerá daqui para frente.

    Há um velho ditado que diz: "Quando há sangue nas ruas, compre ativos.". Esta crise pode derrubar muita gente grande do mercado, mas também vai abrir espaço para muitos participantes novos. Para isto é preciso ter sangue frio e saber onde investir, mas a oportunidade é única.



     
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    Carlos Martins: Profissional de Investimento Certificado APIMEC - CNPI, autor do livro "Os Supersinais da Análise Técnica" (Ed. Campus-Elsevier, 2010) e sócio-fundador do Trader Gráfico.

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