Top Hedger - Carteiras com Prazo de Validade - Trader Gráfico - Robôs, Cotações, Notícias e Análises Bovespa
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    Análise Técnica e SuperSinais
    Ano 12 - Número 106 - Quinta-feira, 14/06/2018


    Esta Newsletter é enviada Semanalmente a todas as pessoas devidamente cadastradas no site www.tradergrafico.com.br/newsletter e tem por objetivo apenas informar ao seu público alvo detalhes sobre indicadores, funções e análises necessários para uma avaliação de ativos e empresas associados a renda variável. Esta Newsletter não produz e não produzirá análises ténicas sobre nenhum ativo ou empresa.


    Top Hedger - Carteiras com Prazo de Validade

    Volatilidade + Stops Coletivos + Margem Turbo = Carteira Sob Medida e Descartável

    Já não é de hoje que a bolsa (B3) anda tendo movimentos extremamente voláteis que fazem com que quem opera no day-trade veja seus stops mais distantes (seja Gain ou Loss) serem disparados com uma certa frequência. Não faz tanto tempo assim, em 2015, eram raros os dias em que se tomava um stop de 1.000 pontos no WIN (mini-contrato de Ibovespa Futuro), fosse de lucro ou prejuízo. Hoje em dia temos esses stops sendo disparados duas, três vezes por semana. Mas o que mudou de lá pra cá?

    Várias coisas mudaram, uma delas é que o IBOV acima de 70.000 pontos faz com que uma variação diária de 1,5% corresponda a ±1.000 pontos, enquanto que em 50.000 esse valor era de ±750 pontos. Outra coisa que tem pesado muito é o volume de negociação, quando nossos primeiros robôs apareceram em 2012 o WIN tinha 60.000 negócios por dia, e o Top Hedger chegava a fazer 20% do volume da bolsa na primeira hora do dia. Hoje, em 2018, nosso mini-contrato é mini só no nome, gerando mais de 1 MILHÃO de negócios por dia. Isso gera uma volatilidade intraday muito maior do que a volatilidade diária, pois o dia pode variar +1,5%, mas no intraday chegarmos a extremos de mínima e máxima entre -2% e +3%.

    Some aos dados informados acima um ano de eleições, greve de caminhoneiros, um país quebrado cuja bolsa está em sua máxima histórica por pura especulação e um movimento de fuga de capitais (dólares) de mercados emergentes (Brasil, Argentina, Bitcoin) com destino aos EUA (Tio Sam voltou a ser a economia mais competitiva do mundo, todo mundo quer estar lá) e pronto! Tem gente vendendo tudo para simplesmente ir embora (estrangeiros são mais de 30% do nosso volume) e tem gente apostando tudo na compra porque acredita que já caiu demais. No dia que o pessoal da venda fica mais forte caímos como um tijolo puxado pela gravidade de Júpiter e no dia em que os comprados são maioria a coisa sobe mais que o carro da Tesla que foi para o espaço. Então, hipérboles de linguagem a parte, ficam esses parágrafos como divagação de motivos que tornam nosso presente muito mais volátil que o nosso passado, sem data para “desvolatilizar”.

    E os robôs stopam (lucro max/preju max) mais, simples assim.

    No começo de 2016 eu criei uma lógica operacional chamada “Margem Turbo” (Margem Turbo: Alavancagem Extrema, Controle Absoluto) que tinha, na época, o único objetivo de auxiliar quem quer usar o day-trade como aposta de curto prazo em vez de operação de longo prazo. A Margem Turbo é um conceito que nos ajuda a parar uma operação que está estatisticamente contra nós, preserva o capital e te coloca no operacional novamente no futuro em outro momento de mercado. Guarde esse conceito na cabeça, vamos voltar a ele daqui a pouco.

    Já em 2017, criamos outro conceito dentro do Top Hedger, o de Stops Financeiros Coletivos. Isso é bem simples, você pega uma carteira com vários robôs juntos (cada um com o seu próprio Stop Gain/Loss) e aplica stops de lucro e prejuízo em dinheiro na operação global. Então se o primeiro robô a operar no dia tiver um lucro enorme, grande o suficiente para atingir o seu stop global financeiro, a plataforma de robôs encerra o dia e impede que os outros robôs operem. E isso é contabilizado com histórico diário! Isso é extremamente útil para mitigar riscos, travando gains logo no começo do dia (gerando muito mais dias de ganho do que perda). Porém, essa lógica não contabiliza mudanças de volatilidade extrema ao longo do tempo, e quando você tem pregões malucos, stops coletivos com loss muito mais longo que o gain podem entrar em DrawDown (máximo prejuízo acumulado) e demorar para sair dele (pois precisam que o mercado volte ao padrão de volatilidade para o qual estão configurados).

    Agora vamos unir as duas ideias, temos de um lado uma operação fantástica de Stops Coletivos, tecnologicamente anos-luz a frente do que um trader faz na mão, mas com um calcanhar de Aquiles na alternância brusca da volatilidade ao longo do tempo. E, do outro lado, temos uma lógica de controle de padrões de volatilidade, que é a Margem Turbo. Pois bem, não precisa refletir muito para entender que vou unir as duas coisas.

    Mas aqui não vamos simplesmente unir as duas lógicas, pois eu não precisaria escrever este artigo se nada de novo fosse aparecer. Além de usar a Margem Turbo nas carteiras de Stop Coletivo, nós vamos usar o seu momento de parada para simplesmente descartá-las. Sim, isso mesmo, se a Margem Turbo disser para ficarmos fora de uma operação, então ficaremos de fora para sempre e escolheremos outra carteira para operar, que esteja em um momento mais otimista dentro de seus padrões.

    E é aqui que alguém pensa, “mas esse cara pensou nisso apenas em teoria e nunca testou”. Errado. Eu pensei nisso ao mesmo tempo em que montei as primeiras carteiras com Stop Coletivo, no início de 2017, mas como nenhuma delas tinha passado por padrões malucos de volatilidade e nem o mercado apontava para isso, segui acompanhando os efeitos dessa teoria em paralelo ao mercado “tradicional”. E foi aí que comprovei a teoria, quando no final de 2017 o padrão de volatilidade mudou, as carteiras que eu acompanhava usando a Margem Turbo logo deram alarme para que a operação parasse, e isso foi bem no começo da mudança de volatilidade. Como eu não sabia se aquela parada seria benéfica ou não (lembre, era apenas uma teoria) eu segui observando seus efeitos nos meses seguintes.

    É muito interessante acompanhar esses dados agora, mas foi bastante marcante (em todos os sentidos que dá pra imaginar) ter algo em mãos não comprovado que se saía muito melhor do que a teoria padrão naquela época. Resumindo, senti na pele os efeitos da volatilidade explodindo e vi com meus próprios olhos a Margem Turbo antecipar movimentos de prejuízo em carteiras de Stop Coletivo. Mas como fazer para padronizar o uso de carteiras de Stop Coletivo com Margem Turbo, uma vez que carteiras com histórico muito longo sempre passam por volatilidade e são impreterivelmente “pausadas” pela Margem Turbo?

    A resposta é tão simples quanto a pergunta: basta limitar a data de início das carteiras e operar lógicas que se enquadrem em períodos curtos, próximos da realidade atual. Quando digo curtos, estou falando de 6 a 12 meses de histórico operacional, período suficiente para manter um certo padrão de volatilidade da mudança de volatilidade. Então, uma carteira recente, bem ajustada às mudanças de volatilidade dos dias de hoje, com stop loss curto e gain longo (volatilidade alta permite esse tipo de operação) e a Margem Turbo lá no controle para o dia em que uma sequência de stops losses curtos nos trazer a informação que a volatilidade baixou demais, é hora de abandonar a carteira e pular para outra. O saldo da operação, enquanto ela esteve ativa, normalmente é positivo.

    Aqui vai um exemplo, no link abaixo temos uma carteira modelo M10 (as carteiras de Stop Coletivo são separadas em “modelos” que podem ser replicados para financeiros maiores ou menores):

    http://www.tradergrafico.com.br/?Simu=S1001

    Essa carteira é o que chamamos de “carteira complementar”, pois ela não carrega custos fixos, estes normalmente são contabilizados em outra carteira com financeiro maior. Nesta aqui temos apenas custos variáveis, como corretagem, perdas eventuais e IRRF (imposto retido na fonte).

    A carteira tem data de início em Julho de 2015 e possui um bom histórico nesse período operando 25 mini-contratos com apenas R$ 4.200 como margem (lembre-se que o “modelo” de carteira permite que se opere múltiplos dela, ou seja, o exemplo é com R$ 4.200, mas você pode operar com R$ 42.000 ou ainda R$ 420.000), sendo que destes apenas R$ 2.100 foram efetivamente utilizados nos primeiros 12 meses de operação em ajustes diários, o restante é a margem de segurança que faz com que a corretora não interrompa a sua operação após um dia ruim. Então, vamos começar uma operação real em Julho de 2016, após os primeiros 12 meses de histórico. O que temos são mais 15 meses de boa operação, acumulando até Setembro de 2017 um total de R$ 5.775 em lucro excedente (a mais do que os R$ 4.200 iniciais) ou 137% de lucro em 12 meses de operação. Então começa o período em que o mercado muda e notamos que durante dois meses a carteira vai se segurando com a margem mínima de R$ 2.100 até que em dezembro de 2017 vem o comando para parar em definitivo. Dos R$ 4.200 iniciados, R$ 5.775 foram ganhos (R$ 4.871 se descontado o IR de 20% mensal, mas vamos fazer o cálculo bruto) e R$ 2.169 foram perdidos (nos últimos dois meses na ativa), o que gera um lucro total em 18 meses de 5775 – 2169 = R$ 3.606, ou ~85%. A taxa Selic em 14%a.a. neste período rendeu 21% (e hoje a renda fixa daria algo em torno de 10%). No final entramos com R$ 4.200 e saímos com R$ 7.806, ANTES de pegar o mercado totalmente diferente que levaria embora os lucros caso continuássemos operando da mesma forma que dois anos antes.

    Dei o exemplo acima porque ele é real, essa carteira foi concebida antes da mudança de padrão de volatilidade do mercado e EU VI e senti na pele as emoções de perceber dia a dia que a carteira estava chegando em seu “prazo de validade”.

    Eu não tracei todo esse raciocínio para falar apenas do passado, hoje temos algo semelhante ocorrendo no mercado. Aliás, sempre teremos esse mesmo padrão ocorrendo no mercado enquanto a volatilidade for mais flutuante do que o seu próprio passado recente. E hoje a carteira que melhor se adapta ao dia a dia está no link abaixo:

    http://www.tradergrafico.com.br/?Simu=S79334330

    Portanto essa carteira ainda pode ser explorada e, embora não haja garantias de quanto tempo ela vai durar, com eleições presidenciais marcadas para daqui a alguns meses é de se esperar que ela dure ainda um bom tempo, suficiente para acumular excedente como no exemplo de 2016/2017. Os pontos fortes desse tipo de abordagem são:

    1. Capital inicial aportado pequeno: nesta última carteira lidamos com R$ 12.000 de margem sugerida para lucros que variam de 10% a 100% ao mês. A mesma carteira sem Margem Turbo opera com capital de R$ 30.000 e não possui “pausa” (http://www.tradergrafico.com.br/?Simu=S79334320) .
    2. Stop Loss curto, o que diminui a ansiedade intraday.
    3. Stop Gain longo, o que recupera rápido perdas anteriores.
    4. Stop Loss geral de 50% do total investido, ou R$ 6.000. Isso preserva o capital, tanto o inicial como o excedente acumulado.
    5. Assim que ela for “pausada” pela Margem Turbo a sua validade expira, paramos de operá-la e colocamos outra no lugar.
    É importante ressaltar que operação em renda variável sempre envolve riscos, seja o risco de você entrar e tomar um stop loss geral logo em seguida, seja o risco de você ganhar muito rápido e acabar aumentando a operação com a ganância de quem quer sempre mais e no final tomar um stop loss muito maior do que o previsto. Mas sem correr riscos não há como ter ganhos acima da média, principalmente agora com a taxa de juros Selic “baixa” (abaixo de 7%a.a.).

    Isso não significa que carteiras tradicionais estão mortas, pelo contrário, sempre há carteiras perenes por aí como a M21 (http://www.tradergrafico.com.br/?Simu=S41189366) que opera firme desde 2010, mas elas são poucas se comparadas com a quantidade de carteiras “descartáveis” que podemos encontrar. O modelo operacional não mudou, apenas se adaptou a uma época em que tudo muda rápido, informação, tecnologia, cultura e, claro, métodos operacionais.


    Carlos Martins: Profissional de Investimento Certificado APIMEC - CNPI, autor do livro "Os Supersinais da Análise Técnica" (Ed. Campus-Elsevier, 2010) e sócio-fundador do Trader Gráfico.

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