Margem, Rentabilidade Duplicada e Alavancagem - Trader Gráfico - Robôs, Cotações, Notícias e Análises Bovespa
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    Análise Técnica e SuperSinais
    Ano 9 - Número 103 - Quarta-feira, 18/02/2015


    Esta Newsletter é enviada Semanalmente a todas as pessoas devidamente cadastradas no site www.tradergrafico.com.br/newsletter e tem por objetivo apenas informar ao seu público alvo detalhes sobre indicadores, funções e análises necessários para uma avaliação de ativos e empresas associados a renda variável. Esta Newsletter não produz e não produzirá análises ténicas sobre nenhum ativo ou empresa.


    Margem, Rentabilidade Duplicada e Alavancagem

    Nessa newsletter eu gostaria de abordar um assunto muito importante, que todos que operam BM&F usam (sem exceção) mas que nem todos entendem. A alavancagem.

    Vamos começar explicando o que é a alavancagem. Quando você quer operar no curto prazo, normalmente dentro do mesmo dia, ou no day-trade (para não passar pela liquidação da operação), é muito comum você ter ganhos ou perdas muito menores do que o montante de dinheiro operado. Exemplo, se eu comprar um lote de ações da Petrobras por R$ 1.000, se ela oscilar 10% durante o pregão a minha operação vai oscilar R$ 100 (10% de R$ 1.000). Suponhamos que haja uma trava regulamentar na bolsa (apenas para o nosso exemplo ser válido) que impeça a ação da Petrobras de oscilar mais do que 20% no dia, seja para cima ou para baixo. Isso limitaria o meu ganho/perda a R$ 200 ou, obviamente, 20% do total comprado.

    Sabendo que eu não vou passar posicionado nessa compra de um dia para o outro, a corretora percebeu que ela poderia deixar eu comprar R$ 1.000 de Petrobras desde que eu tivesse apenas R$ 200 na minha conta. Ela faz isso porque sabe que o meu prejuízo máximo seria R$ 200 devido ao nosso limite hipotético de 20% de oscilação no preço da ação dentro do pregão. Com isso a corretora ganha a corretagem, a bolsa ganha os emolumentos, eu faço a minha operação e a ação operada ganha volume no dia. Ótimo, certo? E o melhor de tudo: eu não preciso ter os R$ 1.000.

    A essa operação realizada com apenas uma fração do valor financeiro depositado realmente na sua conta, damos o nome de alavancagem. Neste nosso exemplo, eu preciso ter apenas 20% do financeiro para operar, isso quer dizer que eu posso me alavancar em até cinco vezes (R$ 1.000 / 200 = 5).

    No meu exemplo lúdico usei ações da Petrobras, mas o objetivo aqui é entender como a alavancagem afeta operações de Ibovespa Futuro (e outros derivativos de BM&F) quando a alavancagem passa de sessenta vezes (60x).

    Até aqui você deve estar pensando: “que maravilha essa alavancagem”. E ela realmente é uma ferramenta muito útil, mas como toda ferramenta, se for mal usada pode causar danos na mesma proporção que permite lucros.

    Quando o Trader Gráfico começou a oferecer robôs de baixa frequência ao mercado de pessoas físicas, de forma pioneira no Brasil, ainda em 2012, se você quisesse fazer day-trade com apenas um mini-contrato de Ibovespa Futuro, cujo valor financeiro gira em torno de R$ 10 mil, você precisava ter pelo menos R$ 1 mil na sua conta (a este valor damos o nome de margem)e a corretagem desse único e solitário mini-contrato seria em torno de R$ 2,20 para cada vez que você enviasse uma ordem ao mercado. Fazendo as contas, era possível alavancar o nosso dinheiro em até 10x (R$ 10 mil / 1 mil = 10). Para que isso fosse possível, normalmente a corretora fazia um acordo (e ainda faz) conosco, se chegarmos perto de perder todos os nossos R$ 1 mil ela mesma encerraria a nossa posição e nos impediria de operar até que a margem fosse recomposta via depósito bancário. Ocorre que havia um problema e um benefício nessa alavancagem de 10x. O problema, claro, era que todos queriam alavancar mais de 10x. O benefício é que a sua exposição ao risco ficava limitada a uma oscilação de 10% do mercado, que em termos de Ibovespa Futuro, é impossível de ocorrer dentro de um único pregão (há mecanismos da própria bolsa para impedir isso), isso dificultava que nós operássemos com muitos contratos, portanto os prejuízos eram, de certa forma, limitados.

    Conforme as pessoas, de posse de seus robôs, ligavam nas corretoras e ficavam pedindo para que a alavancagem de day-trade aumentasse, algumas corretoras viram aí uma oportunidade de ganhar novos clientes. Começava a guerra de preços e margens, que ainda se mantém, entre as corretoras. De posse de sistemas automatizados de risco (que zeram a sua posição automaticamente caso você chegue perto de perder toda a sua margem) as corretoras começaram a baixar essa margem de R$ 1 mil por mini-contrato para, atualmente, entre R$ 120 e 150 por mini-contrato. Como o Ibovespa não saiu muito do lugar nesse meio tempo, o valor financeiro de 1 mini-contrato de Ibovespa Futuro continua em R$ 10 mil, só que agora a alavancagem máxima que conseguimos operar é de 83x (R$ 10.000 / 120 = 83).

    Vou fazer a conta para que todos entendam a ordem de grandeza dessa alavancagem. Hoje, você, com R$ 10.000 na conta, consegue colocar uma ordem com 83 mini-contratos no valor financeiro total de R$ 830.000 (oitocentos e trinta mil reais). Isso mesmo, quase R$ 1 milhão com apenas R$ 10 mil no bolso. Vantagem = mercado andou 1% a seu favor e você tem 83% de lucro. Desvantagem = mercado andou 1% contra você e o seu prejuízo é igualmente de 83%. A conclusão é simples, errou a análise uma vez apenas = quebrou a conta e perdeu quase tudo.

    Agora você deve estar pensando: “que ruim essa alavancagem”. Mas não é. Na verdade ela é a melhor coisa que já nos aconteceu na bolsa, junto com a queda da corretagem (hoje operamos cada mini-contrato pagando menos de R$ 0,40 de corretagem). Isso porque poder operar com a máxima alavancagem nos permite criar estratégias para operar com segurança e ao mesmo tempo volume financeiro reduzido, colocando o resto do dinheiro em outras aplicações, como renda fixa de liquidez diária.

    Explico. Se você operar alavancado no máximo possível, seja qual for o tamanho da alavancagem liberada pela sua corretora, você não pode perder. Se você alavancar tudo o que dá e tomar um prejuízo, por menor que ele seja, ele vai reduzir o seu dinheiro na conta e com menos margem do que o requisitado você não pode mais operar (na mesma quantidade). Então depois de apenas um prejuízo, mesmo que mínimo, você ficará bloqueado de operar e terá que fazer o depósito do dinheiro perdido para que possa operar no dia seguinte. Não é isso que queremos. Então fazemos o seguinte.

    Vamos nos lembrar que em 2012 a margem mínima era de R$ 1.000 por mini-contrato. Então nós vamos usar uma margem de segurança hoje exatamente igual à margem mínima de antigamente, R$ 1.000 por mini-contrato. Isso quer dizer que se você perder R$ 100, ainda ficam R$ 900 e você vai continuar operando normal, afinal a corretora pede menos de R$ 150 para a margem. Como as nossas estratégias operacionais (nossos robôs) são escolhidos por não tomar tantos prejuízos, usar a margem de segurança 7x mais alta que a margem mínima requisitada pela corretora é uma garantia de que nossas operações não vão travar após um ou dois dias de prejuízo.

    Espero que esteja acompanhando o raciocínio até aqui, pois agora vou começar uma lógica nova dentro desse conceito.

    O que era margem mínima operacional em 2012 hoje é margem de segurança. Mas ainda são os mesmos R$ 1.000 por mini-contrato. Isso significa que você ainda estará alavancado em torno de 10x na maioria do seu tempo (um pouco mais após um prejuízo e um pouco menos após um lucro). Embora seja mais confortável operar 10x alavancado do que operar 83x alavancado, isso ainda pode gerar desconforto para muita gente. E o interessante é que as pessoas não entendem a origem desse desconforto.

    Eu, novamente, explico. Nosso cérebro está acostumado a lidar com alavancagens bem menores do que as praticadas aqui, em torno de 2 a 3x (essa tolerância vai aumentando com a prática). Então o que você precisa fazer para operar sem desconforto mental é ter dinheiro suficiente para, mesmo que teoricamente, não passar de 3x de alavancagem.

    Aqui entra outro exemplo. Digamos que eu quero operar com 100 mini-contratos em um robô. Quero que o robô mande uma ordem de 100 mini-contratos todos juntos para entrar na posição e, até o final do dia, mande outra ordem na mesma quantidade para zerar a estratégia. Dando tudo certo isso precisa dar lucro. Mas de quanto? Precisamos saber que 100 mini-contratos correspondem a R$ 1 milhão (100 x R$ 10 mil = R$ 1 milhão). Para eu operar sem alavancagem, eu teria que ter R$ 1 milhão em dinheiro vivo, mas como eu citei acima, nosso cérebro se vira bem com alavancagens de até 3x, então seria desejável ter R$ 333 mil para que você opere 100 mini-contratos confortavelmente. E aqui entra a parte interessante, essa grana toda não precisa estar na corretora. Você precisa ter R$ 150 para cada mini-contrato operado, então são necessários R$ 15 mil para operar 100 mini-contratos. Vamos colocar uma margem de segurança e deixar R$ 33 mil na corretora (~2x a margem mínima necessária) e os seus outros R$ 300 mil você deixa no banco, aplicados, ganhando na renda fixa (preferencialmente com liquidez diária, pois pode ser que seja necessário transferir uma parte para a corretora em caso de prejuízos sequenciais).

    Então, você vai pegar R$ 333 mil, vai deixar 90% rendendo a taxas de mercado, e vai destinar apenas 10% para operar na BM&F, como se fossem R$ 333 mil, rendendo novamente a taxas variáveis (Rentabilidade Duplicada = Renda Fixa + Renda Variável para o mesmo montante). Note que fazendo isso você coloca o mesmo dinheiro para render duas vezes. Com a maravilha da alavancagem, você pode operar na renda variável um montante que fica (quase que totalmente) ganhando na renda fixa. A única condição é que você faça um depósito emergencial caso tenha prejuízo que reduza a sua margem na corretora para menos de R$ 15 mil (o mínimo para se operar o nosso exemplo).

    Agora vem a pergunta: “Mas Carlos, eu não tenho os R$ 333 mil, tenho apenas os R$ 33 mil, posso operar 100 mini-contratos?”

    E a resposta é: SIM. Mas com ressalvas.
    1. Obviamente não tem como fazer o seu dinheiro render no banco e na corretora ao mesmo tempo, pois você não terá nada no banco.
    2. Você não terá recursos para fazer um depósito emergencial caso você tenha prejuízo e fique com menos de R$ 15 mil, então entenda que o seu risco pessoal é muito maior nessa quantidade (100 minis) e não o seria se você adequasse a sua quantidade para 10 minis. Esse risco é perder todos os R$ 33 mil e quebrar.
    3. O único motivo para fazer isso é acreditar que em pouco tempo vc conseguirá dobrar ou triplicar o valor inicial. Porém, não aumente a quantidade das ordens após os lucros. Um dia o prejuízo virá e se ele te pegar com posição dobrada você vai perder tudo o que ganhou e talvez até o montante inicial.
    4. Dando tudo errado (pegou um prejuízo logo de cara) e a sua margem caindo para menos de R$ 15 mil, simplesmente pare de operar. Nunca, em hipótese alguma, reduza a quantidade operacional. Redução de quantidade operacional leva a um efeito que eu chamo de “queda em espiral”, isso quer dizer que você vai continuar perdendo e reduzindo posição até perder tudo. Acredite, fique com o que sobrou dos R$ 33 mil e tente juntar novamente a quantidade de 2x a margem mínima antes de fazer uma nova tentativa. Entenda também, que o risco de quebrar usando alavancagem extremamente alta (acima de 10x) sempre vai existir.

    Na bolsa não sobrevive quem é bom em ganhar mais, na bolsa sobrevive quem é bom em perder menos. Se você tiver uma estratégia que ganhe pouco, demore para ganhar ou fique tempos grandes ociosa sem mandar ordens, mas não perca muito, ela será muito melhor do que outra lógica que ganhe 500% em 5 dias e depois quebre em 1 hora.

    Se você quiser aumentar a quantidade operada, aguarde sua estratégia gerar caixa excedente, espere passar um dia de prejuízo e aumente na mesma proporção de margem por contratos que você iniciou a operação. Esse assunto é mais explorado na Newsletter Gerenciando Grandes Posições.

    É preciso entender que não tem problema nenhum em arriscar ganhar, mas não podemos arriscar o nosso pescoço. Use o dinheiro destinado aos investimentos para investir, simples assim. Não adianta vender o carro e querer dobrar o seu valor em 30 dias, é possível, mas é improvável. Opere menor, mas opere sempre. Não confunda “rentabilizar dinheiro” com “fazer dinheiro”, a bolsa é um ótimo lugar para investir dinheiro, mas se você ainda não o tem, precisa tratar de ganhar antes de querer rentabilizar. É bem verdade que algumas pessoas conseguem pegar R$ 10 mil e transformar em R$ 1 milhão, mas além de capacidade para tanto, é preciso ter sorte para chegar lá, a única regra é não desistir. Nesse mercado nada é impossível, mas muita coisa pode ser improvável, tente ser racional o máximo de tempo que conseguir.



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    Carlos Martins: Profissional de Investimento Certificado APIMEC - CNPI, autor do livro "Os Supersinais da Análise Técnica" (Ed. Campus-Elsevier, 2010) e sócio-fundador do Trader Gráfico.

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